sexta-feira, 23 de abril de 2010

Setembro

Setembro é da cor do esquecimento.
Quem definirá as nuances do tempo?
Setembro tem a cor do esquecimento.
De que cor será outubro?
Será novembro ou dezembro?
Eu não sei, eu nem mais sei...
Ainda não saberemos.
Eu só sei do que conservo intacto
No matiz saturado dos meus pensamentos.
Qual é a cor? Qual era a cor?
E eu já nem me lembro...
(Ou só eu me lembro
Das imagens capturadas nas lentes,
Das figuras inertes a que me prendo?)
Setembro tem a cor doce
E úmida dos olhos que me viram
Passar num rio ligeiro de janeiro.
A cor doce dos olhos úmidos
Que já não me estão vendo.
A cor doce daqueles olhos
Logo ali, ali adiante,
Que ao escorrerem,
Ali mesmo, me esqueceram.


[Maringá, 20.09.2009 – 04:30]

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